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MikroTik: falha no SSH do RouterOS entra na lista da CISA
Roteadores MikroTik estão em boa parte dos provedores regionais do Brasil, muitas vezes na borda e no concentrador. Em setembro, três falhas do RouterOS entraram no catálogo da CISA de vulnerabilidades com exploração confirmada. A principal permite abrir uma sessão SSH sem login. A correção existe, mas a primeira versão era incompleta.
A CISA incluiu a CVE-2026-67279 (SSH do RouterOS) no catálogo de vulnerabilidades exploradas em 25 de setembro de 2026. Em 10 de setembro, já tinha incluído a CVE-2026-86060 e a CVE-2026-67277, do mesmo pacote de falhas.
· CISA (catálogo KEV) e MikroTikEm resumo: três falhas do RouterOS entraram no catálogo KEV da CISA em setembro: CVE-2026-86060 e CVE-2026-67277 em 10 de setembro de 2026 e CVE-2026-67279 em 25 de setembro de 2026. A mais grave abre uma sessão SSH sem autenticação e, combinada com outra, dá controle total do roteador. Atualize para 7.24.3 (stable), 7.23.6 (long-term) ou 6.49.21 (v6), e deixe SSH, WinBox, WebFig e btest acessíveis só a partir da rede de gerência.
O que a CISA publicou
O catálogo KEV (Known Exploited Vulnerabilities) da agência de cibersegurança dos EUA lista falhas que já estão sendo exploradas de verdade. Entrar nele não é questão de nota de gravidade: é a confirmação de que há ataques. Em setembro de 2026, o RouterOS da MikroTik apareceu três vezes.
| CVE | Incluída no KEV | O que permite, segundo a CISA | Prazo para agências dos EUA |
|---|---|---|---|
| CVE-2026-86060 | 10 de setembro de 2026 | Alterar a máscara de política confiável do RouterOS e escalar privilégio | 13 de setembro de 2026 |
| CVE-2026-67277 | 10 de setembro de 2026 | Vazamento de memória do kernel e queda do serviço btest, sem autenticação | 13 de setembro de 2026 |
| CVE-2026-67279 | 25 de setembro de 2026 | Abrir um canal de sessão SSH e enviar um comando sem autenticação; pode ser encadeada com a CVE-2026-86060 | 28 de setembro de 2026 |
Os prazos de 3 dias seguem a diretiva BOD 26-04, publicada pela CISA em junho de 2026, que reserva o prazo mais curto para falhas expostas à internet, exploráveis de forma automatizada e que dão controle total do equipamento. A diretiva só obriga órgãos federais americanos, mas a CISA recomenda o catálogo a todas as organizações.
Como o ataque funciona
O CERT Polska, que participou da divulgação, descreveu o mecanismo. Depois de uma renegociação de chaves (rekey), o servidor SSH do RouterOS entrava na fase de conexão sem exigir autenticação. Um cliente sem login conseguia abrir um canal de sessão e pedir a execução de um comando (CVE-2026-67279). A outra falha (CVE-2026-86060) permitia fazer o login com uma máscara de política escolhida pelo atacante. Juntas, levavam ao controle completo do roteador. O CERT Polska relatou exploração ativa contra equipamentos com SSH acessível pela internet.
A falha no btest (CVE-2026-67277) é menor: um pedido forjado ao servidor de teste de banda podia derrubar o roteador ou revelar pequenos trechos de memória. Mesmo assim, entrou no catálogo. Confira se o servidor de btest está ligado nos seus roteadores: muitos operadores nem lembram que ele existe.
Um velho conhecido do CERT.br
Roteadores MikroTik não são novidade nas estatísticas brasileiras. O CERT.br, centro de tratamento de incidentes do NIC.br, mantém entre os seus indícios de comprometimento um caso específico: equipamentos MikroTik com um proxy SOCKS configurado nas portas 4145/TCP ou 5678/TCP, sinal de que podem estar infectados por uma botnet usada para spam e ataques de negação de serviço. O CERT.br também já registrou varreduras dirigidas às portas 22/TCP (SSH), 8291/TCP (WinBox) e 8728/TCP (API do RouterOS).
Ou seja, há quem procure esses serviços abertos o tempo todo. Uma falha nova no SSH só encurta o caminho. Se o seu provedor recebe notificações do CERT.br, trate as que citam MikroTik com a mesma prioridade desta atualização.
Quais versões instalar
A MikroTik liberou correções no início de setembro (7.24.2, 7.23.4 e 6.49.21). Depois, informou que a correção de uma das falhas nas versões 7.24.2 e 7.23.4 estava incompleta. As versões a usar, segundo o aviso atualizado da MikroTik em 6 de outubro de 2026:
| Ramo | Versão mínima |
|---|---|
| Stable (v7) | 7.24.3 |
| Long-term (v7) | 7.23.6 |
| v6 | 6.49.21 |
Se a sua frota parou em 7.24.2 ou 7.23.4, ela ainda precisa de mais uma atualização.
Fechando a gerência: o filtro que vale para qualquer CVE
A orientação da MikroTik é não deixar SSH e WebFig abertos a redes não confiáveis. A forma mais simples é ter uma sub-rede de gerência e aceitar os serviços de administração só a partir dela. No exemplo, a gerência é 10.255.0.0/27:
| Item | Valor |
|---|---|
| Rede | 10.255.0.0/27 |
| Máscara | 255.255.255.224 |
| Wildcard | 0.0.0.31 |
| Hosts úteis | 30 |
| Faixa útil | 10.255.0.1 a 10.255.0.30 |
Com 30 endereços, cabem as estações dos analistas, o servidor de automação e o sistema de monitoramento. No RouterOS, a ideia é uma lista de endereços com esse bloco e regras na cadeia de entrada que aceitam as portas de gerência (SSH, WinBox, WebFig, API) só quando a origem está na lista, descartando o resto. Também vale restringir cada serviço em /ip service ao mesmo bloco e desligar o servidor de btest onde ele não é usado.
A calculadora de sub-rede confere máscara, wildcard e faixa do bloco que você escolher.
A conta da janela de atualização
Atualizar uma frota grande leva tempo, e é isso que a lista da CISA pressiona. Suponha (valores de exemplo) um provedor com 300 roteadores RouterOS e 2 técnicos, cada um atualizando 12 roteadores por hora com reinício e conferência:
São 12,5 horas, ou cerca de 4 janelas noturnas de 4 horas. É mais do que os três dias que a CISA dá às agências americanas. Por isso, a ordem importa:
- Primeiro, os roteadores com SSH ou WinBox alcançáveis da internet. Feche o acesso antes mesmo de atualizar.
- Depois, concentradores e roteadores de borda.
- Por último, equipamentos internos, já protegidos pelo filtro de gerência.
Roteiro rápido
- Faça um levantamento das versões em uso e procure 7.24.2 e 7.23.4, que precisam de nova atualização.
- Bloqueie SSH, WinBox, WebFig e API de fora da rede de gerência.
- Desligue o servidor de btest onde ele não é necessário.
- Atualize para 7.24.3, 7.23.6 ou 6.49.21.
- Procure sinais de acesso indevido: usuários novos, scripts e agendamentos que você não criou.
Perguntas frequentes
Meu SSH está numa porta diferente da 22. Estou protegido?
Não. Mudar a porta reduz o ruído de varreduras, mas não impede quem procura o serviço em todas as portas. O que protege é o filtro por origem e a versão corrigida.
Atualizei. Preciso fazer mais alguma coisa?
Sim, se o roteador ficou exposto antes da atualização. Atualizar não remove um invasor que já entrou. Revise usuários, scripts, agendamentos e regras de firewall, e troque as senhas de administração.
O RouterOS v6 também é afetado?
A MikroTik publicou correção para o ramo v6 na versão 6.49.21. Confira no aviso da MikroTik quais falhas atingem cada ramo.
subnet4Faça a conta com os seus númerosRede, broadcast, máscara, wildcard e faixa de hosts a partir de IP/prefixo.Fontes e referências
- CISA — Known Exploited Vulnerabilities CatalogInclusão das CVE-2026-86060 e CVE-2026-67277 (10/09/2026) e da CVE-2026-67279 (25/09/2026), com prazos de 13/09 e 28/09
- cisagov/kev-data — known_exploited_vulnerabilities.jsonDescrição de cada CVE, data de inclusão, prazo e referência à diretiva BOD 26-04
- MikroTik — September 2026 vulnerabilityLista das falhas, versões corrigidas (7.24.3, 7.23.6 e 6.49.21) e orientação de não expor SSH e WebFig a redes não confiáveis
- MikroTik — SecurityAvisos de segurança do RouterOS
- CERT Polska — Vulnerabilities in Mikrotik RouterOS softwareMecanismo da falha no SSH (sessão após rekey sem autenticação), encadeamento com a máscara de política e exploração ativa contra SSH exposto
- CERT.br — Estatística de Indícios de ComprometimentoIndício de MikroTik com proxy SOCKS nas portas 4145/TCP ou 5678/TCP e varreduras contra SSH, WinBox e API do RouterOS
- CISA — BOD 26-04: Prioritizing Security Updates Based on RiskDiretiva de junho de 2026 que define prazo de três dias para as falhas mais graves nas agências americanas
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